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terça-feira, 20 de março de 2012

Pão de açúcar

Imagem de Joana Martins de Vasconcelos
A técnica utilizada no desenho foi aquarela e colagem sobre papel canson

O morro do pão de açúcar, que é um dos principais sítios geológicos mundiais, localiza-se no bairro da Urca, na Zona Sul do Município do Rio de Janeiro. O gnaisse pão de açúcar possui caráter magmático e metamórfico, segundo Machado & Demange (1992).
 O fácies Pão de Açúcar apresenta intercalação de paragnaissses, do Complexo Paraíba do Sul; possui minerais metaluminosos, com hornblenda e biotita, sendo rico também em granadas.
Estudos isotópicos dataram a idade de cristalização do Pão de Açúcar em 560 Milhões de anos; este sítio tornou-se um marco da Orogênese Brasileira e da fusão com o continente Africano, dando origem ao Supercontinente Gondwana.
 No continente Africano, ocorreu incidente magmático semelhante há cerca de 550 Milhões de anos.

Geomorfologia

No morro do Pão de açúcar, que está inserido na província morfoestrutural Mantiqueira, predominam processos erosivos.
Ele está incluído no Maciço da Tijuca (de caráter costeiro), que são bloco que foram soerguidos durante o Cenozóico, paralelamente à escarpa das serras do Mar e da Mantiqueira. Esses maciços são os restos da borda meridional do gráben da Guanabara; esta fazia parte do planalto Atlântico, que foi erodida pelo recuo da escarpa da serra do Mar.
Os maciços costeiros geralmente são cobertos por depósitos tálus e colúvios, que vão em direção às baixadas. Possuem um gradiente elevado com topos arredondados ( exemplo Pão de açúcar) ou em cristas alinhadas.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Afloramento Bainha

Imagem de Roberta Delecróde de Souza  

A técnica utilizada para a imagem acima foi mista, pintura e relevo, em E.V.A., colado sobre o papel e depois pintado.

Introdução
Este sítio paleontológico é de grande importância, pois apresenta preservada a famosa Flora Glossopteris, registrada em sequências do Gondwana Inferior (Permiano-Triássico) do sul do Brasil. Ele representa um dos melhores registros da flora gonwânica pós-glacial, relacionada a depósitos de carvão. A composição sugere uma idade Eopermiana para a megaflora deste afloramento.
Certas características, como a predominância entre as folhas de glossopteridófitas, do morfo-gênero Glossopteris e raras licófitas, oferecem evidências dos ambientes deposicionais e do processo de geração do carvão na parte ocidental do Gondwana.
Outra importância da Flora Glossopteris foi que, através desta e outras, ocorreu a comprovação do da existência pretérita do Continente de Gondwana e a validação da Teoria da Deriva Continental; os estudos associaram a Flora Glossopteris com outra muito similar nos continentes austrais, que atualmente são separados pelo oceano;

Localização
O Afloramento Bainha situa-se no município de Criciúma, estado de Santa Catarina, sul do Brasil.


Histórico
O afloramento Bainha, denominado por Dolianiti em 1946, foi descoberto pelo Dr. Aristides Nogueira da Cunha em 1945.

Descrição do sítio
O afloramento representa os extratos inclusos no intervalo estratigráfico da camada de carvão Irapuá (Camada Irapuá); esta camada situa-se a cerca de 25m abaixo da camada do carvão Barro Branco (utilizada como camada-guia). É na “Camada Irapuá” que os megafósseis vegetais são encontrados com facilidade.

Perfil do afloramento Bainha, da base para o topo:

Fácies A: arenito grosso, arcoziano, rico em muscovita, marrom escuro avermelhado intercalado por níveis marrons claros, com estratificação cruzada incipiente e de contato brusco com a fácies sobrejacente.

Fácies B: siltito argiloso, rosa alaranjado a acinzentado, rico em megafósseis vegetais, com estratificação plano-paralela incipiente e de contato brusco com a fácies C (litologia típica da “Camada Irapuá”).

Fácies C: arenito fino a médio, micáceo, amarelo claro, contendo megafósseis vegetais constituídos principalmente por sementes, com estratificação plano-paralela e de contato brusco com a fácies D ( fácies transicional da “Camada Irapuá”).

Fácies D: leito de carvão de pequena espessura e de contato transicional com a fácies E
( fácies transicional da “Camada Irapuá”).

Fácies E: arenito fino, amarelo claro, com estratificação cruzada notável e de contato transicional com a fácies sobrejacente( fácies transicional da “Camada Irapuá”).

Fácies F: arenito grosso, feldspático, amarelo e com estratificação cruzada acanalada. (arenito Barro Branco Inferior).



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Considerações sobre os Trilobitas

Por Cleber Fernandes Silva  


Os trilobitas foram artrópodos que viveram durante todo o período paleozóico. O período de maior abundancia foi o Cambriano, embora não haja registros no Brasil desse período, já que nosso país se encontrava no pólo, ou seja, boa parte do nosso território encontrava-se sob geleiras. Simulações do posicionamento dos continentes podem ser vistas em www.scotese.com.
O nome trilobita não vem da divisão cabeça tórax e pigídio, como muitos pensam, e sim do fato de haver dois lobos pleurais (direito e esquerdo) e um central, chamado de lobo axial.
Seu esqueleto, de natureza quitino fosfática, produziu um ótimo testemunho de sua passagem em nosso planeta, além de ajudar a desvendar como eram os ambientes pretéritos. Através de seu esqueleto podemos inferir hábitos de vida para o animal, inclusive sua provável alimentação (filtradora, predadora/necrófaga) e a energia do ambiente em que viviam. Apesar de serem animais muito antigos, traziam estruturas sofisticadas, como, por exemplo, seus olhos.
Para quem quiser saber mais sobre os trilobitas na internet, recomendo a página intitulada “A guide to the orders of Trilobites” (http://www.trilobites.info/).
É uma pena que no Brasil não haja muito incentivo ao estudo, não só dos trilobitas, mas de invertebrados fósseis. Os dinossauros causam maior fascínio e por isso roubam a cena. Os microfósseis também roubam a cena pela importância econômica que eles têm. São importantíssimos na prospecção de petróleo, o que torna o seu estudo extremamente importante para nossa sociedade capitalista.
É interessante que nem sempre foi assim. Até a década de 80 era moda estudar invertebrados fósseis. Até essa época montou-se coleções fantásticas como a do DNPM e a do Museu Nacional. Mas a situação se inverteu. A sala da coleção do Museu Nacional recebeu modernizações e ganhou uma sobrevida. Contudo, a do DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) está em estado deplorável e precisa urgentemente de melhorias.
Que possamos olhar para os vertebrados e microfósseis, mas não esqueçamos que existem os trilobitas, braquiópodos, moluscos, crinóides...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Carnívoro terrestre mais antigo da América do Sul


Com cerca de 260 milhões de anos, o crânio do Pampaphoneus biccai (que significa matador dos Pampas) foi encontrado em um sítio em São Miguel, Rio Grande do Sul.
As pesquisas mostram que ele media cerca de três metros e pesava mais que um leão.
O curioso é que, mesmo com a sua aparência, ele não era um réptil, nem dinossauro, mas sim, um terápsido (deram origem aos mamíferos).
Os terápsidos habitavam a Rússia, Cazaquistão, China e África do Sul. A semelhança do Pampaphoneus biccai com os encontrados em outras partes do mundo indica a distribuição da fauna do supercontinente Pangea, afirma Juan Carlos Cisneros, um dos autores do estudo.
Fósseis de animais desse período são muito raros no mundo todo.